Texto de Memórias literárias da Aluna Mariana, 8º ano, turma 81.

Tracei minha história, mas minha vida ainda não acabou

(Aluna: Mariana Santana Cardoso)

            Tenho saudades de um tempo em que tudo era tão tranquilo… E eu era tão feliz. Naquela época as pessoas conversavam mais, as crianças brincavam mais. Não éramos reféns dos eletrônicos, pois não tinha muita tecnologia como hoje. A tecnologia é como o morcego, aquele animalzinho que trás tanto benefícios quanto malefícios.

A minha infância não foi, digamos… um mar de rosas. Eu, filho de comerciantes, conheci cedo o ofício e a necessidade obrigou-me a trabalhar para ajudar no sustento da família. Apesar de minha infância e adolescência ser resumida em trabalho, tenho lembranças boas dessa época. Vejo a minha infância como um perfume, eu me lembro dela no cheiro. Para mim, ela era como uma especiaria, vários cheiros diferentes.

Morei até o fim da adolescência numa cidade pequenina e bonita do Maranhão, na beira da praia, onde o vento batia suavemente. Um paraíso! Essa cidade ficava na divisa do Maranhão com o Pará, e era nessa divisa que eu muitas vezes brincava. Por causa disso, atrevo-me a dizer que sou mais paraense do que maranhense; vivia mais no Pará do que no Maranhão.

Vim para a pequena Boa Vista com a minha família de comerciantes representantes. Gostei tanto da cidade que não quis mais voltar. Uns voltaram, outros não. Cada canto da cidade era tão bonito quanto o sorriso do meu filho. Foi na cidade de Boa Vista em que eu vivi boa parte dos meus melhores momentos. Um exemplo era as rodas de conversa na feira em dia de domingo. Todos se conheciam naquela época; sentavam na roda e colocavam as conversas em dia. Debatiam desde o que acontecia na cidade até o que acontecia a milhas de distância. Aquilo era tão aconchegante quanto um abraço.

Lembro também de quando jogávamos bola e andávamos de bicicleta no Parque, passando por aquelas poças de água que a chuva deixava. Era mais gostoso que a melhor das sensações, correr a pé ou de bicicleta pela terra molhada, sentindo o vento acariciar o rosto.

Lembro como se fosse ontem o dia em que coloquei a minha primeira loja em Boa Vista. Foi um marco em minha vida, e um dos melhores! Minha loja era muito frequentada. Eu adorava aquilo, ver minha loja cheia de gente e eu  ao redor. Eu adoro pessoas, em especial os jovens. Eu vejo cada rosto como um brotinho de esperança; cada um desses rostos pode mudar o mundo como um broto de rosas e cravos desabrochando e embelezando um jardim depois de uma tempestade.

O nascimento do meu filho foi outro marco em minha vida, e sem dúvida o mais especial. Eu tive apenas um, mas gostaria de ter vários. Eu me arrependo de não ter casado cedo e ter uma sala cheia de filhos. Porém o único que tive, o Matheus, já está bom demais para mim. Eu o amo mais que tudo imaginável e inimaginável. O nascimento dele me fez conhecer um novo mundo: o mundo das crianças. Antes eu apenas via, não conhecia.

‘           Hoje eu aqui, já com 73 anos de idade, estou parado. Fazendo o quê? Oras, estou observando. Observando as mudanças eminentes. O vento e o tempo levaram tudo embora. As coisas não são mais como antes. Aumentaram-se as possibilidades, as coisas ficaram mais fáceis. Surgiram coisas boas e ruins. Vejo novos confortos materiais, mas infelizmente vejo pessoas brigando, matando e roubando por causa desses confortos. Atualmente tudo é um grande museu repleto de novidades, no qual sempre aparecerá um novo item.

E do passado, o que restou? Nada mais que boas lembranças. Tracei meu passado com muito prazer, sinceridade e amor. Eu fiz história. Mesmo que não seja conhecida, é minha história. Mas a minha vida ainda não acabou. Porém o que me resta, além de lembrar com prazer do passado e observar a nova era das grandes novidades?

(Texto baseado na entrevista com o senhor Domingos, do Viva Melhor Idade)

Sobre elianedmelo2

Professora de Língua Portuguesa com mestrado em Ciências da Educação. Nascida em 7 de julho, em Campos dos Goytacazes,Rio de Janeiro. Atualmente, morando em Roraima.Diretora do CEFORR ( Centro Estadual de Formação dos profissionais da Educação) em 2015, 2016,2017, Consultora técnica da UNIVIRR ( Universidade Virtual de Roraima) em 2017 e 2018. Atualmente, professora de língua portuguesa no Colégio Militar Estadual Cel. PM Derly Luiz Vieira Borges.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

5 respostas para Texto de Memórias literárias da Aluna Mariana, 8º ano, turma 81.

  1. Mariana Cardoso disse:

    Meu texto 🙂 me esforcei bastante para produzir algo bom, e pelo visto consegui.

  2. Marcely Amorim disse:

    Parabéns Mariana, gostei tanto do seu texto que fiquei arrepiada! :

  3. Ana Ruth Crispim de Lima disse:

    Texto de memórias literárias

    Este texto é bem reflexivo, e sei que a maioria das pessoas tiveram que trabalhar na infância por necessidade. E concordo também que antes as crianças brincavam mais, conversavam mais,e até mesmo os adultos se viam mais. Mas nesses tempos a tecnologia vem nos tornados meio que zumbis, tem gente que não larga o celular, e não conversa mais pessoalmente.
    Gênero: Memórias

    Ana Ruth Crispim de Lima 9D

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s