Texto de Memórias escrito pela aluna DEBORAH KALLINE, 7ºano matutino. Com base na entrevista realizada com a senhora Maria das Dores.

                                                                   O COMEÇO DE UMA AVENTURA
Não nasci aqui, sou do Maranhão, e vim para cá com o objetivo de ter uma vida melhor. O convite do meu cunhado para chorar de saudades em Roraima…O meu cunhado queria trazer minha família toda, mas só havia uma passagem disponível, eu aceitei, e minha nova vida estava para começar… Então foi assim que vim parar aqui.
Cheguei aqui em Boa Vista em 1979. Quando cheguei, minha primeira moradia foi no bairro Mecejana na casa do meu cunhado. Quando desci do avião, a imagem que via em minha frente parecia uma floresta! Não consegui me controlar e disse: Oh… MEU DEUS! – Admirada com o matagal. Mas, quando eu ainda estava sobrevoando Boa Vista, lá de cima, vi a cidade, era tão linda! Tinha uns traçados diferentes. Quando conversei com outras pessoas, fiquei sabendo que Boa Vista foi planejada para crescer em forma de um leque. Agora a cidade está muito diferente, para melhor e mais bonita, é claro! Embora esse leque esteja um pouco fora do seu desenho original. Infelizmente isso aconteceu, porque as novas construções não obedeceram ao traçado original da cidade. É uma pena!
Lembro-me bem que antigamente, eu dormia como um anjo, de portas abertas, pois não havia ladrões. Hoje tudo mudou, nós dormimos praticamente é de olhos abertos!
Quando cheguei aqui, já havia energia, mas era gerado através de motor a diesel. Hoje não temos mais os motores trabalhando na usina para nos oferecer a energia. O progresso chegou e a energia que temos hoje é a energia vinda de Gúri — uma energia da Venezuela que vem iluminar a cidade.
Eu bebi dois anos de água retirada do poço. Naquela época, ainda não tinha água encanada. Hoje em dia, temos água em casa, basta colocar uma torneira fazer as ligações com os canos e pagar mensalmente. Época mais difícil, até para nos locomover. Eu me lembro que aqui havia dois carros um Jeep e uma Combe; era assim o nome dos carros que conheci na época que cheguei a Boa Vista.
Estas lembranças estão acordando outra passagem triste da minha vida. Em 1976, foi quando minha mãe foi dormir profundamente e, hoje, tenho certeza que está lá junto de Deus. E meu pai?! Vish, nem sei por onde ele anda.
Trabalhei de doméstica por 28 anos, pois não tive oportunidade de estudar, estudei até a 1° série, mas aprendi a ler com a Bíblia de tão sagrada que ela é… Mas se eu tivesse oportunidade de estudar, eu estaria trabalhando no governo, porque naquela época era muito fácil entrar para trabalhar no serviço público.
Quando aqui cheguei, ainda tinha garimpo, e a Serra mais falada era a Serra de Tepequém, se era difícil encontrar terra para morar? Vish, como era!
Minhas brincadeiras de infância, gente, como eram legais! Da vontade de voltar no tempo, a minha brincadeira preferida era pescar. Cresci e hoje não pesco mais. Agora Vivo numa vida adorável na presença de Deus. E, assim, a minha vida continua.
(Texto de memórias baseado na história de vida da senhora Maria das dores)

Sobre elianedmelo2

Professora de Língua Portuguesa com mestrado em Ciências da Educação. Nascida em 7 de julho, em Campos dos Goytacazes,Rio de Janeiro. Atualmente, morando em Roraima.Diretora do CEFORR ( Centro Estadual de Formação dos profissionais da Educação) em 2015, 2016,2017, Consultora técnica da UNIVIRR ( Universidade Virtual de Roraima) em 2017 e 2018. Atualmente, professora de língua portuguesa no Colégio Militar Estadual Cel. PM Derly Luiz Vieira Borges.
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4 respostas para Texto de Memórias escrito pela aluna DEBORAH KALLINE, 7ºano matutino. Com base na entrevista realizada com a senhora Maria das Dores.

  1. Iago souza Alencar 9B disse:

    Boa Noite professora. Esta narrativa é realmente interessante, a trajetória da protagonista, o modo como é contada por ela e o fato de que isso tem como foco também a nossa cidade Boa Vista. Mas o que mais me prendeu na leitura foi o fato de que essa história é bem parecida com a história da minha família materna, a muitos anos atrás a minha vó por parte de mãe saiu da casa de seus pais ao 26 anos no interior de Minas Gerais e veio para Boa Vista á procura de vida nova,começou sendo babá e doméstica, foi difícil no começo mas acabou formando uma bela família junto com o meu avô.

  2. Iago Alencar 9 ano disse:

    Professora, eu acho que o último comentário que eu publiquei aqui não chegou à senhora, então vou refazer o meu texto. Eu gostei bastante dessa narrativa que fala sobre uma pessoa que teve que sair de sua casa para tentar vida nova em outro lugar, também gostei do modo como a história foi contada, e o fato de que se passa na nossa cidade Boa Vista. Mas o que mais me prendeu na narrativa foi o fato que esse relato da senhora Maria das Dores se parece com a história da minha vó materna, a dona Vânia Maria, que saiu nova de sua casa no interior de Minas Gerais e veio para Boa Vista para tentar uma vida melhor longe de casa, ela começou como faxineira e babá até que conseguiu ter uma vida confortável como professora.

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